O surgimento do povoado que originou o município está ligado, como grande parte dos municípios mineiros, à penetração dos bandeirantes paulistas no interior das Minas Gerais no século XVIII, à procura de ouro e pedras preciosas, aprisionando índios e se apossando das terras.

A mineração nas lavras, que possibilitou a formação desses primeiros núcleos populacionais estáveis constituídos a partir da permanência dessas populações nas regiões das minas, gerou o aumento generalizado do consumo. Esse aumento veio atrair comerciantes para os locais ocupados, pois, uma vez que a região foi configurada como essencialmente exploratória, todos os produtos que eram consumidos por aquela população deveriam vir de fora. Estes negociantes, ávidos por grandes lucros e que vendiam uma grande variedade de mercadorias, praticamente tudo, começaram a se dirigir para a região de exploração das minas não mais somente de passagem, tipo caixeiro viajante, mas também determinados a se fixar na região e enriquecer a custa do comércio de produtos essenciais necessários aqueles primeiros agrupamentos exploratórios.

Mateus Leme, segundo Waldemar Barbosa foi um bandeirante paulista que percorreu a região de Minas Gerais, e posteriormente seguiu para Bahia combatendo índios ferozes entre 1715 e 1717. No volume XXVI da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – Ed IBGE, o bandeirante Mateus Leme é citado como o “genro de Borba Gato que desbravou, em meados do século XVIII, as terras onde hoje se localiza o município que tem seu nome” confirmando a informação de Teóphilo de Almeida sobre a região.

Uma carta Sesmaria, do ano de 1710, refere-se ao local (Morro do Mateus Leme), comprovando a sua origem bem remota. Outras fontes documentais, dos anos 1739 e 1745, referem-se ao “Arraial Morro de Mateus Leme”.

Ainda segundo o estudioso Teóphilo de Almeida, encontram-se no Morro de Mateus Leme vestígios de antigos aquedutos e lavrados, iniciados num trabalho vultoso de mineração aurífera no local. Disso, podemos deduzir que a mineração se apresentava muito lucrativa, pois compensava os gastos com obras bastante onerosas.

Apesar destes indícios de riquezas, o arraial do Morro de Mateus Leme atravessa todo o século XVIII sem alcançar foros de freguesia, sendo capela curada de freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral Del Rei. Nessa época estima-se a população de Mateus Leme 2.358 pessoas, segundo um levantamento pastoral (em 1826, de acordo com um mapa estatístico citado por Abílio Barreto, Mateus Leme apresentava 410 fogos e 2.556 almas.

Presume-se que a população, com a decadência da exploração aurífera, tenha voltada para outras atividades econômicas como a agricultura e a pecuária.

A freguesia (povoação) foi criada em 1832, com a denominação de Santo Antônio do Morro de Mateus Leme, tendo como filiais Itatiaiuçu e Patafufo.

Em termos administrativos, a população passou por diversas mudanças: tendo pertencido aos municípios de Sabará e Pintagui, foi posteriormente incorporado aos municípios de Pará de Minas, antigo Patafufo (1848), Bonfim (1850) e (1870) e novamente Pará de Minas (1877). A autonomia foi adquirida em 1938, quando foi criado o município.

O povoado que posteriormente daria origem ao atual município de Mateus Leme, foi fundado no início do século XVIII, na premissa que, buscando metais e pedras preciosas, levaria ao deslocamento de todo o eixo econômico brasileiro para Minas Gerais, formando inúmeras novas comunidades.

Autonomia política

A autonomia política e administrativa de Mateus Leme foi auferida no ano de 1938, fruto da luta de gerações e gerações de seus maiores representantes, sempre apoiados pela população de todas as classes sociais. Com o aumento da produção houve uma grande corrida às minas, o que causou o surgimento de diversos conflitos. Existem referências à participação de moradores da região de Mateus Leme na Guerra dos Emboabas, “primeira manifestação de rebeldia dos que aqui (Brasil) nasceram, com relação aos portugueses, considerados como os de fora”, assim definida por David Carvalho. O conflito que se desenvolveu em Minas Gerais e São Paulo, segundo autor, tem o município de Mateus Leme ligado às suas origens.

A Matriz de Santo Antônio

Do conjunto arquitetônico e urbanístico do antigo núcleo minerador denominado Arraial do Morro de Mateus Leme restaram poucos exemplares, entre eles, em destaque Igreja Matriz de Santo Antônio possuidora de características singulares se comparada às igrejas mineiras do mesmo período.

Edificada na segunda metade do século XVIII e concluída em 1790 (data do frontispício), a igreja Matriz de Mateus Leme – Paróquia de Santo Antônio – ao que tudo indica, foi erguida, assim como as várias capelas mineiras da época, para atender à população que se estabeleceu nas localidades próximas às lavras de exploração do ouro no início do povoamento da região das Minas Gerais.

Supõe-se a existência anterior de uma capela no local, pois em 1748 o arraial possuía um capelão, o padre Francisco Fernandes de Almeida. A construção dessa antiga capela é atribuída ao alferes minerador João Francisco da Silva que, segundo o pesquisador João Dornas Filho ergueu a edificação com seus próprios recursos, para agradecer a Santo Antônio um milagre que teria lhe salvado a vida.

é uma obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Construída toda em pedra, medindo suas paredes um metro de espessura. Sua idade é estimada por uma lasca de pedra em sua fachada, onde se lê o ano de 1766.

O Distrito de Azurita

O povoado que se tornou município de Mateus Leme em 31 de dezembro de 1943 através do Decreto N 1.058, tem sua origem associada a criação da linha férrea e da estação de embarque e desembarque de passageiros e cargas em 1911.

O Pequeno grupamento que ocupava a região, aos poucos, a partir do maior movimento dado pelo trânsito de cargas e pessoas que passavam ou paravam por ali aumentou e cresceu no entorno da estação.

Por esta ramificação ferroviária chegavam os trens vindos de Belo Horizonte, numa composição única, que em Azurita era distribuída para dois locais:

  - Pará de Minas, Bom Despacho e Barra do Funchal.

- Triângulo Mineiro, Goiânia e região Centro-Oeste.

Daí a importância desse trecho, que diferentemente da antiga estação de Mateus Leme, teve época de grande movimento quando era ponto de parada entre os caminhos. No espaço da estação havia até um restaurante para atender aos passageiros em trânsito.

Ponto de embarque e desembarque de passageiros e cargas. Construído em 1911 e restaurado em 1996.

Distrito de Serra Azul... ... ...

A Cavalhada

A Festa de Junho - Festa de Santo Antônio, São Sebastião e Cavalhada - é a principal atração festiva da cidade, geralmente acontece na segunda semana de Junho com programações religiosas, shows e a tradicional Cavalhada, atração turística e folclórica da cidade.

O Pico do Itatiaiuçu

Em Mateus Leme também está localizado o Pico do Itatiaiuçu, de renome nacional, medindo 1465 metros em seu solo guarda uma incalculável riqueza mineral composta de hematitas, manganês, congo, etc. 

A serra do Elefante

A descoberta do ouro no Morro de Mateus Leme determinou a fixação de exploradores ao pé da serra formando o primeiro núcleo de povoamento que originou a cidade.

DATA DA FUNDAÇÃO: Princípio do século XVIII.

DATA DA EMANCIPAÇÃO: 17 de dezembro 1938.

População: 27.856 habitantes – (CENSO 2010).

Área do município: 301,383 km2 (2016).

Altitude: 770M.

Clima: Temperado.

Coordenadas geográficas: 19º.57’13” latitude sul, 44º, 25’ long. w. gr .

Localização: Região Metropolitana.

Microrregião: Centro.

Distância da capital: 56 km.

Comarca: 1ª Entrância.

Rodovia de Ligação: BR 262 e MG 050.

Distritos: Azurita e Serra Azul.

Povoados: Alto da Boa Vista, Cachoeira, Caxambú, Francelinos, Fazenda da Rede, Freitas, Jardim, , Mato Dentro, Sítio Novo, Varginha e Zicuta.

Padroeiro: Santo Antônio.

Co-padroeiro: São Sebastião.

FESTAS POPULARES: Cavalhada Masculina e Feminina, Congado e Folia de Reis.

Produção Agrícola: Milho, feijão e cana de açúcar.

Produção Pecuária: Bovino, suíno, Ovinos e leite.

Hortigranjeiros: Vagem, pepino, pimentão, tomate, beringela e outros.

Produtor Mineral: Algamatolito, minério de ferro e grafite.

Referência Bibliográfica:

 KUHL, Beatriz Mugayar. Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em São Paulo: Reflexões sobre a sua preservação. Ateliê Editorial: FAPESP, 1998.

PIMENTA, Demerval José. Estradas de Ferro Eletrificadas no Brasil. R.M.V. 1997.

Relatório das Estradas de Ferro Oeste de Minas (1880-1922).